| Uma
vez que a função principal dos dentes é a mastigação,
a perda dental pode reduzir a capacidade mastigatória, o
que leva à alterações prejudiciais na escolha
dos alimentos. Isso, por sua vez, pode aumentar o risco de doenças
sistêmicas específicas, já que a dieta e certas
condições de saúde, como a saúde cardiovascular,
estão interligadas. Por exemplo, segundo um estudo publicado
na revista Science, um aumento na ingestão de alimentos ricos
em colesterol e gorduras saturadas e uma diminuição
na ingestão de fibras elevaram o risco de doença cardíaca.
Como grande parte da população apresenta ausência
de dentes, o efeito nos riscos à saúde devido à
perda dental pode ter um impacto significativo.
Num dos maiores estudos destinados a investigar
a relação entre a perda dental e a dieta, foram coletados
dados sobre a condição dental e a ingestão
de alimentos e nutrientes de 49 mil profissionais do sexo masculino.
Após ajuste para idade, tabagismo, exercício e profissão,
verificou-se que a ingestão de vegetais, fibras alimentares,
fibras cruas e caroteno foi significativamente mais baixa, enquanto
a ingestão total de calorias, colesterol e gorduras foi significativamente
mais alta nos participantes desdentados em comparação
com os participantes com 25 ou mais dentes. Não houve diferenças
significativas na ingestão de vitamina C ou de frutas quando
a ingestão de sucos de frutas foi considerada. No entanto,
quando os sucos de frutas foram excluídos, uma análise
adicional demonstrou que existia uma diferença significativa
nos alimentos duros de mastigar, como maçãs, pêras
e cenouras entre os participantes desdentados e aqueles com todos
os dentes.
Em um estudo de acompanhamento com o mesmo corte
de profissionais do sexo masculino, foram realizadas análises
longitudinais entre a perda dental e o consumo de alimentos e nutrientes
específicos. Verificou-se que durante um período de
oito anos, os participantes sem nenhuma perda de dentes apresentaram
reduções maiores na ingestão diária
de gorduras saturadas, colesterol e vitamina B12, e aumentos maiores
na ingestão diária de fibras, caroteno e frutas, em
comparação com os participantes com perda dental.
Além disso, sujeitos que perderam cinco ou mais dentes estavam
significativamente mais propensos a parar de comer maçãs,
pêras e cenouras em comparação com aqueles que
perderam quatro dentes ou menos.
Até o momento, esses estudos fornecem as
melhores evidências de associação entre perda
dental e alteração na ingestão alimentar, e
sugerem ser aconselhável incorporar avaliação
da dieta e orientação em nutrição nas
consultas odontológicas para pacientes com perda dental,
a fim de evitar riscos à saúde devido à uma
dieta deficiente.
Com base nestes e em outros estudos científicos
disponíveis, podemos concluir que a reposição
dos elementos dentários ausentes, através de próteses
dentárias, constitui a melhor forma de devolver ao paciente
condições ideais para realizar uma alimentação
saudável.
Referências
Hung et al. Tooth loss and dietary intake. JADA 2003;134(9):1185-1192.
Joshipura et al. The impact of edentulousness on food and nutrient
intake. JADA 1996;127(4):459-467.
Willett. Diet and health: What should we eat? Science 1994;264(5158):532-537.
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